Nuno Missa

Março 15 2011

Diz-se pr’aí q’andam zangados!
- Quem? O Rancho ou os namorados?
– O Rancho, esclarece a Joana.
- Foi na Alemanha, diz o Coivana,
Porque será q’a “Dotora” não deu conversa?
Ora digo eu, estava com pressa!
Já o Zé não estranhou:
- Eu avisei, ela tem pinta. Nunca “m’inganou”.
Gente pia, crente na Geminação
Não aceita afronta nem humilhação.
Na Fonte Velha corre esta desgraça
Onde s’ajuntam p’ra jogar à cabaça.
Das Almas à Costa se levanta o povo
Mal habituados, tudo isto é novo.
C’o Bacalhau à frente, juram em harmonia
Logo ali, acabaram-se as Festas por maioria.
- Não há Santa Cristina???, desabafa a Bia  num lamento
- Há, q’o Moita impôs-se ao Bento.
E a Gruta sustento da Comissão
Prometida em tempo de Eleição?
Tudo isto veio à memória
Sem sabor a vitória
- Srª da Piedade nos valha!
Q’isto ainda dá porrada por causa duma  migalha.
É crime – promessa não cumprir.
- Mas será…,diz o Ti Lóio a sorrir.
– Desgraça seria se o “piolho”…, dizia o Retunga
Enquanto a Maria Benta resmunga:
- Piolho na Bacalã?
Ou na couve Anã?
– Não… Pior seria o Tito falhar ao altar
Deixar a Lurdes e  não casar.
- Por nossas Almas, que tenho roupa a corar e já são Trindades.
Acabas isto ou estás com dificuldades?
‘Tou, q’a crise aperta e não tenho dinheiro, vou a pé.
- Tá bem! Está na hora. Inté!

Nuno Missa
(3 Março de 2011)
Nota: a composição é uma sátira a uma senhora que se faz passar por dona da Cultura cá da terra e que de cultura vulgo educação pouco mostra ou distribui.
publicado por nuno missa às 09:38

Janeiro 06 2011

Imagino a ideia com que ficam os estrangeiros ao verem as notícias de Portugal  sobre a campanha eleitoral para as Presidenciais 2011.

Com o devido respeito, esta "cambada" de velhos caquéticos fazem-me lembrar "Os Marretas", com uma diferença: - não lhes encontro piada alguma!

O país é a imagem dos candidatos. A verborreia que sai a cada instante da boca (ou cloaca) de algumas pessoas que aspiram (ou guerream) pelo tomar do lugar de "prima dona", desafiam os meus mais profundos sentimentos de traição para com a República e para com Portugal. Nem um nem outro merecem tais vis actos.

A Monarquia neste aspecto traria a vantagem de não passarmos por tal disputa na sucessão, excepção feita para o caso de não sair macho suficiente no Trono ou a esterilidade não permitir fêmea parideira, caso que hoje em dia com a tolerência natural do povo português se ultrapassaria sem alarde. Se a maioria católita aceitou "pacificamente" o casamento gay e o aborto, também aceitaria uma inseminação artificial ou uma adopção para resolver a sucessão ao Trono.

A traição a Portugal é o mais grave dos sentimentos. Mas o palavreado asqueroso da campanha suscita-me por vezes uma antipatia ao "Escudo e à Pátria Portuguesa". Se não tivesse aprendido a gostar nos bancos da Primária do nosso passado glorioso,  feito com o sangue derramado de tantos Mártires, antes preferiria viver numa sociedade mais aberta, respeitadora dos valores patriotas e humanos, fossem quais fossem as origens geográficas, cores, religião, símbolos ou etnias.

De tantas traições à Pátria indiciadas recentemente na pré-campanha, não sei qual delas é a mais grave: ter investimentos no BPN num mercado livre, democrático, de acordo com as regras legais duma economia de mercado ou contribuir (em Argel)1 para ceifar a vida dos mancebos que por imposição foram obrigados pela Ditudura a defender a "integridade do território Nacional".

Admirável é a forma como uns seguem os outros. Parece um rebanho em que um manda um bacorada e os outros o seguem em fila indiana de opiniões e contra-opiniões.

- Meus senhores, se os amigos estão a ficar senis e sem ideias, deixo-vos um conselho: inscrevam-se numa Universidade da Terceira Idade que está na moda ou então façam voluntariado para ocupar o tempo que é bem mais útil e barato para o País.

 

 

Nota 1: ver http://jose-maria-martins.blogspot.com/2010/06/manuel-alegre-candidato-presidente-da.html

publicado por nuno missa às 13:52

Janeiro 01 2011

Hoje, para os meus lados o dia amanheceu ligeiramente toldado e enevoado.

Tenho dúvidas!

Não sei se foi do champanhe ou das misturas.

Por via das dúvidas, ao almoço ataquei com tinto. Só lhes digo com franqueza: - os resultados foram rápidos e satisfatórios. Nada mau para um primeiro dia de 2011.

publicado por nuno missa às 23:12

Dezembro 31 2010

Estaria disposto a apostar na descontextualização do leitor relativamente ao assunto indiciado pelo título.

Estarão certamente neste momento os caros amigos a imaginar uma engrenagem mecânica.  Como estão enganados... Habituados aos carretos de pesca de marcas conceituadas ou às desmultiplicações impostas por Lance Armstrong à sua bicicleta na Volta à França, dificilmente me acompanhariam nesta dissertação.

Pois bem, vou regressar ao antes do 25 de Abril, bem longe da Revolução dos Cravos, lá para meados de 1970. Nesse tempo andava eu de calções com fundilhos mas era um pobre feliz.

Ainda o stress não estava inventado. O tempo arrastava-se lentamente,  o que permitia assimilar sabores, aromas e o tele-transporte para o imaginário  a que a leitura dos livros da biblioteca itinerante Gulbenkian nos  convidava.

Eram tempos em que nada acontecia, e qualquer alteração à rotina era considerado dia de festa. Por isso, sempre que podia lá ia eu todo lampeiro ao carreto.

A minha avó era moleira e proprietária de dois casais de pedras que giraravam incessantemente sem parar enquanto corria água suficiente na ribeira. O grão depositado em cima na moega, como que por magia desaparecia no meio do "rame-rame" cadenciado do movimento da mó.  À frente, um pano a tapar uma caixa de madeira não impedia, que a farinha que crescia aos repelões, em parte  escapasse numa nuvem que ao diluir-se pintava tudo de branco realçado nas teias de aranha e na roupa do moleiro. A vassoura feita de painço juntava num canto o que se acumulava no chão, para depois juntamente com o farelo engordar o porco ou aumentar a produção da vaca leiteira.

Estávamos a chegar ao fim de tempos muito difíceis, em que a sobrevivência passava em parte pela farinha, essencial para o pão dos pobres - a broa de milho cozida em forno de lenha. Por vezes era enrolada na massa sardinhas ou chouriço. Outro comer de pobre (hoje manjar) eram as papas. As sobras de sopa de lavrador eram "aumentadas" no dia seguinte com farinha de milho que cozia lentamente, sempre mexidas com colher de pau para não agarrar ao fundo, garantiam mais uma refeição a baixo custo para a família. Havia também quem fizesse papas laberças, em que as nabiças substituíam a sopa. No terceiro dia, caso ainda sobrasse alguma coisa, o que restava era aquecido na frigideira com um pingo de azeite. Papas regadas com azeite caseiro e acompanhadas de sardinha assada é um pitéu. No inverno era (e é) um espectáculo de sabores acompanhar as papas com a sardinha da matança (salgada em sal usado na arca da matança do porco).

A industria da moagem subsistia em parte da maquia. Os clientes da terra vinham ao moinho fazer a troca e pôr a conversa em dia. Ao lume, estava sempre a cafeteira do café, acrescentada a escassos intervalos para presentear as visitas. Os homens petiscavam mais para o tinto ou aguardente de bagaço consoante as horas do dia.

A freguesia angariada ao longo de muitos e sérios anos espalhava-se por muitos quilómetros em redor. Era para esses que se destinava o carreto, termo agora em desuso, mas que na gíria local do moleiro tinha um conceito abrangente do transporte da mercadoria e dos clientes inseridos no percurso. Existiam dois circuitos, um deles estava à responsabilidade da minha avó e abrangia uma pequena área do Baixo Mondego. Mas o carreto da minha preferência, entrava pelo Sicó e estava a cargo do marido da minha avó (dum segundo casamento).

Atravessar a Mata da Bufarda deitado em cima dos taleigos, na carroça acompanhado dos moscardos que não largavam a mula, era um espectáculo. O tempo dava para tudo. O mais comum era apreciar a natureza em cada canto e recanto, as pedras a quem ia atribuindo significados impostos pelas formas peculiares, o contorno dos montes efeminados e o grito das aves que de tempos a tempos me acordavam. Longas conversas se passavam contando-me coisas da política, da guerra, da fome e da tropa passada em São Miguel à espera dos alemães.

O ponto alto acontecia já Sicó adentro - nunca falhava a hora da bucha.  Só conheci uma ementa: chouriço, broa e azeitonas. Enquanto se trincava, de tempos a tempos, a mula peidava-se e lá soltávamos uma gargalhada.

Coisas impensáveis num mundo de hoje: a ASAE fechava de imediato o restaurante ambulante por motivos de salubridade, a Protecção de Menores retirava o menor à tutela dos pais por exploração infantil e uma qualquer liga de Defesa dos Animais armava um escabeche danado por maus tratos  à mula.

publicado por nuno missa às 19:01

Dezembro 30 2010

O Tetra foi mais uma treta. Hoje pagamos caro a leviandade do Euro2004. Passados 6 anos e satisfeitos os caprichos dos boys, está na hora do deitar abaixo. Projectos megalómanos não auto-sustentáveis do nosso sistema político corrupto, têm agora que ser lançados ao lixo. Fala-se em 3 estádios em risco: o de Aveiro, Leiria e Algarve.

Pelo meio, sem que ninguém toque no assunto, temos as redes de comunicações Digital Tetra que equipou a PSP do Porto e de Coimbra. Com a entrada em funcionamento do SIRESP, a rede privativa da PSP ficou inoperacional e todo o material incluindo os rádios portáteis não servem para mais nada, a não ser contribuir para aumentar os resíduos sólidos e a poluição do planeta Terra.

O Tetra do 2004 que custou milhões à Fazenda Nacional, e contribuiu também para o apertar do cinto em 2010, não chegou a estar em pleno funcionamento 6 anos. Foi um negócio com baixa relação qualidade preço, que nunca atingiu os objectivos propostos nomeadamente a integração com outras redes e produtos de outros fabricantes. Ao que parece envolveu a HLC, SLN, BPN e a Omnitécnica entre outras empresas. É um dossier que merecia ser bem esclarecido.

Não há mãe que tenha teta suficiente para aleitar tanto mamão.

 

Post Scriptum:

O SIRESP também utiliza a tecnologia digital TETRA (numa versão actualizada) e cumpre as directrizes da norma (coisa que não se passou em 2004).

publicado por nuno missa às 08:12

Dezembro 29 2010

Há cerca de dois anos, houve preenchimento de vagas lá no serviço. O facto do concurso ser interno, limitou o número de candidatos a cerca de meia dúzia. Dois cromos sobressaíram de imediato.

O João, fala-barato inveterado e  cheio de truques, não teve "cabedal" para concorrer com o sexo oposto.

A Xãozinha, o outro cromo, fêmea espampanante enrolada  em trapos coloridos que troca diariamente, chamou desde logo a atenção. Durante as provas de selecção constatou-se que inteligência lhe tinha fugido a sete pés. Não perguntem como ou porquê, mas a gaja passou nas provas e ainda hoje se pavoneia nos corredores do rés do chão. Era interessante verem uma foto da gaja - um arco íris ambulante.

A tipa parece que anda sempre com o cio, a ver pela quantidade de machos cá da casa que a rodeiam em horário de expediente. A familiaridade é muita, permitindo que  sorrateiramente lhe passem as mãos pelas curvas, sempre que se cruzam com ela ou entre deixas. Ela esgueira-se entre os que comem os figos e os outros a quem lhes rebenta a boca. Há tempos limpou a conta bancária dum manso que há muito andava "reçaivado". O rombo foi tão forte que o tipo meteu baixa psiquiátrica e não aparece há mais dum ano ao serviço. É assim, com umas habilidades de corpo que a menina financia os luxos.

Mas a gaja não bate bem do miolo. No final deste verão, nas redondezas do posto de trabalho da menina, as coisas voavam. Ele era material de escritório, objectos particulares e até nos lavabos a "limpeza" era geral. Para deslindar os intrincados desaparecimentos, as hostes foram colocadas de sobreaviso e no dia X o embróglio foi resolvido: a estúpida saca dum rolo de papel higiénico, mete-o no saco, passa pelas câmaras de video vigilância, sai do edifício e vai colocar o produto no parapeito duma janela. Como quem não quer a coisa, regressa ao seu local de trabalho. Claro está, a malta que trabalhava no gabinete por detrás do vidro espelhado, quando topa o rolo, saca-o e sem saberem eliminam a prova do crime. A sorte da gaja...

O que se passará pela cabeça duma pessoa para praticar um acto destes? Será que em vez de neurónios transportam areia na cabeça? Ou será serradura?

 

Epilogo: Porque as imagens gravadas não identificaram claramente o "desvio", a gaja continua a trabalhar na mesma e como nada tivesse acontecido, (com acesso total a áreas previligeadas e dados confidenciais) enquanto as colegas, em fila para ver as imagens gravadas, lançam para o ar impropérios e questionam quem é o cavaleiro que protege uma gaja tão feia e asquerosa.

publicado por nuno missa às 14:13

Dezembro 28 2010

O dia tinha começado mal. Na véspera, domingo, um equívoco tinha-me tornado um fim-de-semana de praia num relaxante e calmo dia passado na companhia do meu "braço direito", vulgo esposa. Ter de entrar de serviço às 22h00 dum domingo, subjugou-me a pão e água. O dia arrastava-se quente e apelativo para injerir umas loiras. Seria humilhante fazer testes de álcool e estar sob o efeito dele. Impensável.

Só verifiquei a estupidez do equívoco quando entrava no emprego. Não era o meu dia de serviço...

-Bem feito - disse eu em auto-advertência - é o que faz andar com a cabeça nas nuvens...

Desfeito o equívoco, lá regressei para junto da minha amada, não sem antes dar uma vista de olhos pela cidade. As ruas estavam desertas. Na Portagem, só o polícia de serviço ao Banco de Portugal e dois ou três carros que por ali passavam por imposição do traçado. Na Fernão de Magalhães, dois travestis deabulavam erraticamente tentando disfarçar a verdadeira razão de estarem ali. Dei a volta pela Praça da República e nem vivalma. Caso raro, pensei de repente, mais tarde apercebi-me que não era quinta-feira noite de estudante e bebedeira. Sem parar, regressei a casa.

Pelo caminho, perdido em congeminações, teatrilizava a recepção ao meu engano:

- Cabeça no ar! Não andas bem. Precisas de ir ao médico.

Lá cheguei e nem tive tempo de abrir o portão. Fui recebido ali mesmo com um sorriso reprovador prenunciando as minhas congeminações. Lá veio a sentença:

- Tens que te concentrar....blá, blá, blá,..., não ouvi mais nada. O meu cérebro entrava em piloto automático e protegia-me baralhando as palavras e os sons.

Ainda assim aproveitei o engano. Ao menos nesse dia fui mais cedo para a cama. Aproveitei para mais uns avanços...mas ao fim de  umas dez páginas, o cansaço venceu-me.

publicado por nuno missa às 08:02

Dezembro 27 2010

O meu pensamento é um camaleão viajante. A todo o momento viaja por mundos imaginários, sempre acompanhado por um príncipe Justiceiro.

As notícias que me chegam a todo o instante dão o mote aos destinos do Justiceiro. Rapidamente à distância de um raio de luz, visto a "pele" dum condutor exemplar que o meu corpo assume fisicamente no momento, resolvo um problema de Direitos Humanos na China, combato os cartéis de droga na América Latina, boicoto e desmantelo um plano duma multinacional que pretende disseminar um vírus através da comercialização dum medicamento ou resolvo um problema da fome numa tribo em África.

As injustiças, o politicamente correcto, o jogo das multidões e todas aquelas coisas fúteis que impelem o ser humano em momentos de extremo desespero a cometer aquele bárbaro ajuste de contas, trazem ao de cima o meu espírito de um Deus sempre pronto a usar os poderes que me foram concedidos por um ser supremo adimensional, e impedem a concretização de todos os males.

Em todas as minhas intervenções não existe sangue ou morte nem resultam cicatrizes quando tudo está terminado. Os opositores não se apercebem da minha intervenção nem ficam com memórias. Assumem sempre que a solução foi divina e dos seus Deuses.

Assim resolvo os diferendos sem ódios e o mundo fica melhor.

publicado por nuno missa às 08:14

Desabafos...para um mundo melhor...
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